Cena Clubber: Essencial para sobrevivência do vinil nos anos 90.

As origens da cultura clubber nos anos 90 remontam ao fenômeno soul do Norte britânico na década de 70, quando os DJs começaram a superar a música ao vivo. O estilo, batizado de “Northern Soul”, cresceu a parte de clubes que haviam nascido nos anos 60, como o Twisted Wheel, em Manchester, onde os disc-jockeys tocavam o soul americano menos conhecido entre uma banda ao vivo e outra. O estilo da música era uma extensão do som da Motown, e os DJs e fãs empenhavam-se em descobrir discos de 45 rotações, que ninguém mais ouvia.

No início da década de 70, clubes importantes, como o Golden Torch, em Stoke-on-Trent, e o Wigan Casino, em Wigan, na Grande Manchester, tocavam soul a noite inteira para milhares de fãs, que àquela altura já tinham evoluído seu visual e seus passos de dança. Muitos DJs passaram a evitar o som puro pós-Motown e dar espaço a selos e artistas mais difíceis de achar. Nesses eventos do Northern Soul era comum as pessoas trocarem vinis usados, em geral na área de recepção das casas noturnas.

Em meados da década de 80, a tendência se voltou para locais maiores, que abrigava festas que varavam a noite, das quais o Northern Soul havia sido pioneiro. De novo, a região de Manchester estava no centro do movimento: com o clube Haçienda como carro-chefe permanente, um circuito de espaços informais, em geral armazéns, começou a ser usado como opção para varar a madrugada, com foco em dance music eletrônica, acid jazz e nos primeiros discos de house. Essas raves atraíam milhares de pessoas, e a música comandada por DJs passou a tomar conta da Grã-Bretanha. Espaços vagos de todo tipo eram requisitados para festa não oficiais de acid house, com drogas alucinógenas (principalmente o ecstasy) acrescentando um toque psicodélico aos eventos.

O gênero house nasceu em Chicago no início da década de 80, e os discos geralmente tinham batidas repetitivas, criadas em baterias eletrônicas, e partes de baixo tocadas no sintetizador – não muito diferente das discotecas, mas com um sabor eletrônico, minimalista. A house music logo pegou comercialmente, com grandes sucessos por toda a Europa.

Enquanto a cera house fervia nos clubes da Europa, locais de rave abriam na Alemanha, Itália e em outras partes. A queda do Muro de Berlim, no ano de 89, deu lugar a festas de Techno house na antiga Berlim Oriental, e no início dos anos 90 a cena girava em clubes como E-Werk, Der Bunker e Tresor. Festas em armazéns também se firmaram na Austrália, especialmente nas grandes cidades, como Sydney e Melbourne.

Iniciada por expatriados britânicos e Djs americanos que costumavam visitar a Europa, a cultura rave nos Estados Unidos começou a decolar no final dos anos 80. Houve grandes eventos no começo da década de 90, como o festival de dança eletrônica Impact, na Pensilvânia, em 93, e as Storm Raves de Nova York, organizadas pelos Djs Frankie Bones e Heather Heart.

Outras raves fundamentais no país foram as grandes festas promovidas pela Global Underground Network, de San Diego, cujos eventos Opium e Narnia atraíam 60 mil pessoas. Narnia foi saudado como o “Woodstock da Geração X”, e a revista LIFE o elegeu como “O Evento do Ano de 1995”.

No entanto, a cultura rave dominada pelo disco nunca foi mais espetacular do que a cena montada na ilha mediterrânea de Ibiza. Clubes imensos, como Manumission, Pacha e Amnesia, atraiam jovens e DJs de alto nível de todas as partes do mundo, como Paul Oakenfold e Fat Boy Slim, superatrações de verão. A Amnesia, em particular, tornou-se uma Meca internacional dos fãs de dance music. O imenso sucesso dessa cena clubber movida a toca-discos foi providencial a sobrevivência do vinil ao longo dos anos 90.

 

 

 

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