Thriller: um fenômeno de Michael.

O ano de 1982 não ia bem para Michael. Seu dueto com Paul “The Girl Is Mine”, gravado em 81, não recebeu boas críticas e acaba empacado nas paradas dos EUA. Mas Michael e seu produto Quincy Jones ainda precisavam finalizar um álbum, e não podiam mais contar com o sucesso de Off The Wall, lançado três anos antes.

Eles tinham apenas quatro meses para trabalhar e concluir um novo álbum e um LP de histórias sobre o filme ET, de Steven Spielberg. Na véspera da data de entrega do primeiro aos selo Epic. os dois passam a noite trabalhando, e no dia seguinte escutam a mixagem final.

“Soava terrível” contou Quincy Jones, o produtor. “Colocamos música demais em cada um dos lados. Como era vinil, você só podia ter vinte minutos por lado. Michael a essa altura chorava, e todos ficamos muito mal”. Depois de dois dias esfriando a cabeça, Quincy encurtou a introdução de “Billie Jean” e cortou um refrão de “The Lady in My Life”. “A partir de então… foi como magia!”.

Mas essa não era a primeira vez em que se requisitava o talento de Quincy para editar. Na lista de músicas, ele contou ao The Guardian, reduziu oitocentas concorrentes a nove. “Então cortei as quatro mais fracas e subtituí por ‘The Lady in My Life’, ‘PYT’, ‘Beat It’, e ‘Human Nature’. Junte a isso ‘Billie Jean’ e ‘Wanna Be Startin’ Somethin’ e então você tem um álbum de verdade”.

Lançado em em novembro de 1982, Thriller não tirou Business As Usual, do Men at Work, do topo das paradas nos EUA, mas quando “Billie Jean” virou um sucesso, no início de 1983, o álbum foi para o primeiro lugar – onde ficou 37 semanas não consecutivas. Em janeiro, ganhou o primeiro disco de platina (dos vinte que emplacaria só nos EUA até novembro de 1984). Em março, o astro estreou seu moonwalk num especial de TV da Motown, e em julho “Human Nature” tornou-se o terceiro hit de Thriller.

Um ano após o lançamento do LP, a faixa-título virou o sétimo single, fazendo de “The Lady in My Life” a única música do disco a não ter saído compacto. “Em geral, as pessoas fazem um álbum e você tira dele só uma boa canção, as outras são como lados B”, contou Michael à Ebony. “Eu dizia a mim mesmo, ‘Por que cada uma delas não pode ser um sucesso?’ Então sempre me esforcei para isso. (…) Queria que todas fossem sucesso. E trabalhei duro para isso”.

 

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