Discos piratas também são itens de colecionador!

O uso popular do termo “pirata” (em inglês “bootleg”) tem origem nos anos 1920, na época em que bebidas alcoólicas eram proibidas nos EUA pela Lei Seca. Nesse contexto de proibição, elas eram contrabandeadas em botas de cano alto. Depois disso, o termo foi se difundindo, e por quase meio século, desde o fim dos anos 60, ele tem sido associado, também, às gravações ilícitas de música.

Embora seja uma infração à lei de direitos autorais, o bootleg difere de uma cópia ilegal ou de uma réplica fraudulenta de material já lançado. Ao contrário, o “contrabando” de performances que não foram lançadas, em geral de shows ao vivo, é quase sempre coisa de fã para fã!

A mais festejada das antigas gravações piratas é Great White Wonder,  de Bob Dylan, lançada pelo selo Trademark of Quality no ano de 69. Prova de seu impacto é que vários desses registros foram desde então lançados oficialmente, como ocorreu com muitos bootlegs clássicos. Frank Zappa chegou a fazer “bootlegs de bootlegs” com sua série Beat the Boots, cujos primeiros oito volumes foram reunidos em uma caixa com dez LPs em 1991. No mesmo ano, a Columbia começou a lançar material de Dylan, a Bootleg Series – uma ideia inspirada, que desde 2014, gerou onze volumes.

Esses LPs podem ter embalagem e som precários, mas alguns selos sofisticados, como o Tradmark of Quality, orgulham-se de sua alta qualidade e capas criativas. Em meados da década q970, milhares de fãs compraram o LP British Winter Tour 74, do Pink Floyd, que continham três faixas até então não lançadas, sob a falsa impressão de que era uma sequência oficial de Dark Side.

Os nomes que mais geraram gravações piratas, como Dylan, Floyd, Zeppelin, Beatles e Stones, tendem a ver com bons olhos esses lançamentos, embora a tolerância nunca se estenda aos seus empresários. Conta-se, por exemplo, que Peter Grant, manager do Zeppelin, destruía qualquer bootleg que encontrasse em lojas de discos, Grande alvo das gravações piratas, Bruce Sprinsteen uma vez disse brincando “liguem seus gravadores” durante uma transmissão por rádio de um show ao vivo em 78, mas não achou graça quando demos do álbum The River chegaram às ruas antes do lançamento oficial.

Mais tarde, porém, uma política liderada pelo Grateful Dead, que permitia que qualquer um gravasse shows, sinalizou uma mudança, acolhida por gente que dita tendência, como Trent Reznor, do Nine Inch Nails.

Em seu auge na era do vinil, a gravação pirata era item obrigatório na estante de qualquer fã dedicado. Hoje, os discos de produção ilícita são valiosas peças de colecionador.

Gostou do texto? Essa e outras histórias do mundo do Vinil você encontra no livro: Vinil – A Arte de Fazer Discos. Disponível em nossa loja:

Comente aqui