1972 – O ano fértil da música brasileira.

A década de 70, como um todo, foi um dos momentos mais produtivos da música. Mas temos um ano em especial que marca esse solo fértil brasileiro. Foi o ano de 1972. Um recorde de produções de altíssimo nível. Separamos algumas delas para vocês.

Qual é sua obra favorita? Arrisca dizer qual é a melhor?

Expresso 2222, Gilberto Gil

Trata-se do primeiro disco de Gil após a volta do exílio em Londres. O nome do trabalho é uma homenagem ao trem no qual Gil deixava sua cidade natal em direção a Salvador. Tornou-se modelo do crossover entre pop e MPB, que serve como parâmetro para qualquer um dos compositores-cantores atuais. Entre as clássicas estão a faixa-título, Macrobiótica e os sucessos Chiclete com Banana e O Sonho Acabou: “O sonho acabou / quem não dormiu no sleeping bag nem sequer sonhou”. Outro momento eterno é Oriente, regravada por Elis Regina no ano seguinte.

Lô Borges (Disco do Tênis)

Tamanha era a inspiração naquele momento que Lô Borges produziu dois trabalho, um em parceria com Milton Nascimento, e o outro de maneira solo, trazendo seu frescor de juventude tanto nas músicas, quanto na capa, ilustrada por um par de tênis visivelmente pertencentes a um jovem, a um ex adolescente, a alguém que transita entre as confusões juvenis, e algumas responsabilidades mais adultas. Um tênis surrado por uma vida ainda breve, mas cheia de histórias e andanças. “Lô Borges” foi lançado há 45 anos, quando o músico tinha apenas 20 de idade. Conhecido popularmente como o “disco do tênis”, em referência à imagem da capa, o álbum é um marco na carreira desse grande nome da MPB e da música mineira.

Transa – Caetano Veloso

Esse clássico foi gravado em Londres, lugar que acolheu Caetano Veloso durante o exílio, e é uma alegoria de tudo que acontecia na vida de Caê. Suas novas descobertas, um novo idioma, novos ritmos, e a saudades de sua Terra. As descobertas são nítidas com a influência do reggae no disco, e as poesias brasileiras e ritmos nacionais expõe sua saudade e origem. O álbum foi produzido pelo inglês Ralph Mace, e contou com parceiros como Jards Macalé e Moacyr Albuquerque.

Para degustar:

 

Acabou Chorare – Novos Baianos

Também lançado em 1972, Acabou Chorare era algo totalmente novo, e não só para a o que se estava sendo na música, mas também para os próprios Novos Baianos. Era uma produção completamente inovadora e muito mair rica que o primeiro disco da banda. Da quase psicodelia de Ferro na Boneca, os rumos foram outros depois da amizade com João Gilberto, e os Novíssimos Baianos sofreram uma inteira reformulação sonora e poética.  Acabou Chorare é visto também como um respiro ao momento melancólico, tenso e obscuro que ocupava a música e que era a clara tradução do momento vivido, a Ditadura Militar no Brasil.

Clube da Esquina – Milton Nascimento e Lô Borges

Clube da Esquina é Minas Gerais para os ouvidos e corações. Clube da Esquina é também a efervescência jovem, é a beatlemania aliada ao folclore. É o Jazz e a Bossa Nova em copos de cerveja. É o progressivo com a música regional. Numa época em que o prazer em ouvir música exigia um esforço a mais, em que exigia economias para adquirir os bolachões… Em uma época em que passava-se um mês todo desfrutando o mesmo Vinil, Clube da Esquina, um álbum duplo, exigiu ainda mais esforço dos admiradores, mais economias, mas retribuiu com a contemplação dupla de quem tem duas vezes mais músicas para apreciar durante o mês. Talvez um dos trabalhos mais bonitos da música brasileira.

 

4 comentários em “1972 – O ano fértil da música brasileira.

  • 08/08/2017 em 18:58
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    Que situação mai difícil…
    Gil e Novos Baianos são ótimos discos mas o disco do Tenis supera os dois. Clube da Esquina e Transa. Aí complicou muito. Os dois são espetaculares.
    A interpretação do Caetano para Mora na Filosofia é uma catarse.

    You don’t know me, “Nasci lá na Bahia de mucama com feitor
    O meu pai dormia em cama, minha mãe no “pisador” é bárbara.

    It’s a Long Way… We’re not that strong, my Lord / You know we ain’t that strong

    Acho um disco mais complexo. Fico com ele.

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  • 09/08/2017 em 15:43
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    Com todo respeito aos demais, todos ótimos, Clube da Esquina.

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  • 10/08/2017 em 09:59
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    Senti falta de algumas obras primas de 72 no post:

    Se o caso é chorar – Tom Zé

    Para iluminar a cidade – Jorge Mautner

    Pérola Negra – Luiz Melodia

    Ben – Jorge Ben

    Entre outros…

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  • 12/11/2017 em 08:16
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    Elis Regina sempre fica de fora…
    O album de 1972 da cantora, marca uma nova fase em sua carreira. Foi o primeiro disco com arranjos feitos por César Camargo Mariano. Do disco podemos destacar quase todo o repertório. Musicas como 20 Anos Blues, Nada Será Como Antes, Cais, Casa No Campo, Águas de Março, Atrás Da Porta, Mucuripe, Vida De Bailarina… enfim…um disco que jamais pode ser esquecido!

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