Luiz Melodia lançou um disco da maneira mais louca possível!

No ano de 1978 Luiz Melodia lançou o disco que completaria sua melhor trilogia e encerrava a primeira fase de sua carreira. Era o disco “Mico de Circo” um ode ao marginal.

Melodia abre o disco Mico de Circo com uma alta dose de ironia ao cantar “A Voz do Morro” de Zé Ketti. O motivo? A gravação foi feita por sugestão de Wally Salomão para rebater àqueles não conformados com o negro que descia o morro pra cantar jazz (uma das grandes paixões de melodia). “Eu sou o samba, a voz do morro sou eu mesmo, sim senhor”, canta cheio de deboche e em formato de gafieira

Mas o ode ao marginal e a rebeldia desafiando o conservadorismo não ficou apenas nas canções, Melodia com seu “Mico de Circo” quebrou outros muitos esteriótipos: O trabalho produzido por Guto Graça Mello teve um lançamento inusitado nas ruas de Salvador. Melodia e Wally Salomão desfilaram pelas ruas da cidade numa charrete até o Mercado Sete Portas, local onde foi distribuído um grande almoço.

Explicamos melhor: Luiz Melodia, montado em um burro, saiu em cortejo puxando uma carroça, onde estava Wally Salomão. O cortejo desceu a Djalma Dutra, no Matatu, até chegar ao Mercado, em Nazaré. Lá foi servido um almoço coletivo, um caruru com sete mil quiabos.

O motivo disso tudo? O próprio Luiz deu a justificativa: “Acho que todos os discos costumam ser lançados em situações restritas. Caretas. Este, aqui, em especial, representa uma homenagem aos marginais. Daí o fato de o disco ter que sair, mesmo, nas ruas. Nelas é que os marginais se encontram“.

Nesse momento Melodia deixava claro quem ele era: Um cara que não aceitava os esquemas das gravadoras, que não seguia as regras do mercado e que batia de frente com parte da crítica especializada, e não tolerava a hipocrisia de outros colegas músicos.

O álbum conta com o ‘auxílio luxuoso’ de Perinho Santana, Banda Black Rio, Armandinho, João Donato, Victor Biglione, Márcio Montarroyos; portanto, um tributo aos marginalizados.

O maestro Arthur Verocai também contribuiu, e é dele o arranjo de Presente Cotidiano. “Essa música é uma marchinha em compassos de três tempos, mas ele cantava um compasso em três e outro em quatro: ‘Quem vai querer comprar banana…’. Daí eu me perguntava: ‘Essa música é em três ou em quatro? Se eu fizer assim, da maneira que está, nego vai dizer que eu sou doido!’. Mas ele não estava nem aí se eram três, quatro ou sete. Fazia isso sem pensar. Não tinha essa de dizer: ‘Vou fazer uma música em três por quatro!’. Simplesmente acontecia pela força intuitiva do cara”.

Luiz Melodia nos deixou no último dia 04 de agosto. Numa triste manhã de sexta-feira a Melodia se eternizou, e seguirá rompendo barreiras Presentes em nosso Cotidiano.

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