Siba – De Baile e Verbo Solto!

Você conhece o Siba? Se ainda não, já está na hora de iniciar essa amizade. E pode deixar que nós aqui armamos esse encontro!

Siba é nascido na cidade cosmopolita do Recife, vindo de uma família que até hoje mantém forte ligação com sua origem rural. O pequeno Siba cresceu entre a cidade e o interior, dois mundos que fazem parte de um mesmo todo!

Desde seus primeiros contatos com a Mata Norte, começou uma longa história de aprendizado e colaboração, exercitando ao longo dos anos os fundamentos da poesia ritmada para se tornar um dos principais mestres da nova geração do maracatu e dos cirandeiros. Ao mesmo tempo, como membro da banda Mestre Ambrósio, desenvolveu um estilo inovador e singular, e que você pode notar em poucos minutos de audição!

Entenda um pouco mais a importância da tradição e da poesia levada e defendida por Siba:

Conhecida como a “capital estadual do Maracatu”, em 2014, Nazaré da Mata, município localizado na região da Mata Norte, em Pernambuco, se dividiu. De um lado, músicos, foliões e representantes da cultura local, coletivos que se uniram para defender as tradições (musicais) da região, mantendo as apresentações de Maracatu de Baque Solto até o amanhecer. No outro lado, a Polícia Militar e membros do governo municipal, oposição de defendia o encerramento precoce dos festejos e apresentações do gênero, forçadas a acabar no começo da madrugada.

Um dos defensores do primeiro grupo – frente que conquistou na justiça o direito de manter as tradições, estendendo os festejos até as 5:00 da manhã -, Siba transporta para o interior do segundo álbum solo parte desse conflito e desrespeito pelas tradições locais. Misto de regresso aos sons regionais explorados desde os primeiros trabalhos com a extinta Mestre Ambrósio, em De Baile Solto (2015, YB), mais do que um retrato isolado da cena nordestina, o compositor pernambucano entrega ao público uma síntese do instável panorama político e social de todo o Brasil.

Já que sabemos viver só do que a mão alcançar
Também podemos sonhar, sem dormir
Quem vem de terra alta sente sempre falta
Do que não pode existir, se encolhemos até ser impossíveis de esmagar,
Dar-se um jeito de escapar, sem fugir,
Já que nada temos só carregaremos peso que ajude a subir,
Praticando não saber nada do lado de lá
Um brilho do que não há, vem cobrir
Nossa pela escura capa de armadura nada pode destruir,
Toda vez que esmorecer a vontade de cantar
Vai sempre um doido gritar “tamo afim”
De festa enquanto dorme o inimigo enorme, neles em nós e em mim.

Nesse disco Siba retoma, definitivamente, os ritmos da música de rua de Pernambuco como elemento central de seu trabalho, ele deixa um pouco de lado os questionamentos íntimos que marcaram Avante de 2012, e parte agora da posição desprivilegiada que o Maracatu de Baque Solto ocupa no panorama cultural brasileiro e recifense, para elaborar um discurso poético e musical que arrisca um olhar atento para o que está ao redor, embalando rimas de tom político e extrapolando o contexto local que lhe serviu de ponto de partida.

Sai!
A gente brinca, a gente dança
Corta e recorta, trança e retrança
A gente é pura­ponta­de­lança
Estrondo, marcha macia!

Siba_BaileSolto

Agora, “ De Baile Solto” ganha uma edição especial em vinil colorido (vermelho), uma parceria entre a Mata Norte, Fina Distribuição e o selo Assustado Discos.

Essa reedição é importada, com vinil especial Vermelho! A pré-venda já começou lá na nossa loja, e é melhor correr, pois a edição é limitadíssima!

Fontes para o texto: Miojo Indie e Site Oficial Siba. 

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