1 Século de história: Em 1917 era lançado o primeiro Disco de Jazz.

Foi em 26 de fevereiro de 1917. Sim, há 100 anos! Nessa ocasião, cinco músicos de Nova Orleans entraram nos estúdios da Victor Records em NY para gravarem um par de músicas que seriam lançadas em um single de 10″. O Disco foi lançado em março daquele mesmo ano, e teve a maior venda no catálogo da Victor na época.

Seu nome: Dixieland Jass Band One Step.  Foi gravado pelo grupo he Original Dixielan Jass Band. Foi o primeiro álbum a ser produzido e comercializado como jazz, e vendeu duzentos e cinquenta mil exemplares. O que era um número fora do comum na época.
Você se atentou ao fato da grafia jass? A palavra assumiria a forma jazz no final daquele mesmo ano.

Não dá pra negar, já havia alguns outros discos que flertavam com o jazz, principalmente obras do compositor James Reese Europe, que são datados entre 1913 e 1914. Mas era o início de um movimento, sem contar com o preconceito que os artistas do estilo, principalmente os negros, sofriam.

Até 1917 o jazz não era muito conhecido e popular fora de Nova Orleans. O primeiro músico de jazz que se tem notícia é Buddy Bolden, mas o músico nunca gravou nenhum trabalho.

Entenda mais:

Havia um músico, o cornetista Freddie Kepard. Ele foi um dos primeiros a levar o estilo para fora de Nova Orleans. A Orquestra de Keppard, a Keppard’s Original Creole Orchestra, percorreu diversas cidades, até, em 1915, ser convidada pela Victor Records para gravar um disco. Mas Keppard recusou.

Há relatos de que ele estava com medo, pois, outros cornetistas poderiam usar o registro para copiar seu estilo e ideias musicais. Outras histórias ou lendas do mundo do jazz é que Keppard se recusou a gravar porque tinha medo de ser enganado pela gravadora. As duas histórias são completamente plausíveis, então, seja qual for a razão, o fato é que Freddie Keppard não gravou nada até o ano de 1923.

Já a The Original Dixieland Jazz Band – que contou com o líder / trompetista Nick LaRocca, o clarinetista Larry Shields, o trombonista Eddie Edwards, o pianista Henry Ragas e o baterista Tony Sbarbaro – era de Nova Orleans e mudou-se primeiro para Chicago e depois para Nova York. O grupo foi rapidamente testado pela Columbia Records e gravaram quatro lados em 30 de janeiro de 1917. É provável que a Columbia não tenha gostado do resultado, e os discos não foram liberados.  Após o convite e as sessões na Victor, em 26 de fevereiro, o cenário mudou, e a gravadora transformou essa história.

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Naquela época as publicidades eram feitas em jornais impressos apenas. Até mesmo os discos eram vendidos em anúncios de jornais e revistas. O primeiro Lançamento de Original Dixieland Jazz Band foi promovido numa publicidade nacional da Victor’s Spring em 1917.

Como já comentamos, na época, poucas pessoas fora de Nova Orleans escutavam ou conheciam o jazz, o que fez com que a curiosidade dos demais despertasse, e não houvesse concorrência alguma dentro do ritmo lançado. O jazz era rápido, moderno, e rompia totalmente com as marchas militares e a tradição clássica européia da época, e que a maior parte da América do Norte escutava. O disco alterou a paisagem cultural e musical dos Estados Unidos. Nascia a Era do Jazz!

Como era de se esperar, outras bandas começaram a copiar e a se inspirar com aquele novo ritmo. Entre os imitadores estavam The Original Memphis Five, The Louisiana Five, The New Orleans Rhythm Kings, New Orleans Kings of Rhythm e The Original New Orleans Jazz Band, que contou com um jovem pianista de Nova York que mais tarde faria sua marca em filmes com som: Jimmy Durante. O sucesso também não demorou a chegar até eles e ao jazz.

Mas os tempos eram difíceis em sua totalidade. O Jazz foi por muito tempo mal visto, e além disso, estavam em época de Guerra. Em 1918 a Original Dixieland Jazz Band começou a se desfazer. O trombonista Eddie Edwards foi servir a I Grande Guerra. O pianista Henry Ragas faleceu devido a complicações da gripe espanhola que se alastrava na época. E Nick LaRocca deixou o grupo no início dos anos 20, após um colapso nervoso.

Com o tempo e mudanças no time, o grupo terminou de se desmontar. Nessa época o jazz já tinha uma tal evolução, que houve a mudança de grupos para solos, uma transformação de cenário. Dentro dessa nova maneira, alguns nomes como Louis Armstrong e Bix Beiderbecke, reconheceram a influência pioneira da ODJB. Mas não era suficiente. Os novos solistas eclipsariam a popularidade da Original Dixieland Jazz Band e, no processo, tornaram-se as primeiras estrelas reais do jazz, ofuscando o início dessa jornada.

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