10 Lps Essenciais Para Uma Coleção de Música Brasileira

Listas são sempre polêmicas e causam muitas discussões, mas acreditamos que para você colecionador de vinil de música brasileira, que ao menos 5 discos aqui listados estão no top 10 de sua coleção. É claro que muitos ficaram de fora, pois resumir em apenas dez é uma escolha muito difícil.

Concorda? Qual faltou? se faltou, comenta aí e posta a sua lista com os seus 10 essenciais.

1 – Novos Baianos – Acabou Chorare

novos-baianos-acabou-chorare-novo-lacradoAcabou Chorare é o segundo álbum de estúdio do grupo musical brasileiro Novos Baianos. O disco foi lançado como Long Play em1972 pela gravadora Som Livre, após o relativo sucesso de É Ferro na Boneca (1970), que ainda procurava identidade. Adotando a guitarra expressiva de Jimi Hendrix e a brasilidade de Assis Valente, e sobretudo a influência estrondosa de João Gilberto, que também serviu de mentor do grupo na época da realização do disco, o grupo realizou uma obra que apresenta grande versatilidade de gêneros musicais.

 

2 – Jorge Ben – A Tábua de Esmeraldas

jorge-ben-a-tabua-de-esmeraldas-lacradoConsiderado um dos melhores álbuns de Jorge Ben Jor, “A Tábua de Esmeralda”  tem a alquimia como um do as principais e alguns arranjos com efeitos especiais completando o clima cósmico. Nessa época, início dos anos 70, o músico estudava filosofia e teologia, especialmente a obra de Tomás de Aquino, citada em várias faixas,. São dessa  fornada o clássico absoluto “Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas”, “Hermes Trimegisto e sua Celeste Tábua  de Esmeralda” e “Errare Humanum Est”. O trabalho gráfico também acompanha o conceito e traz figuras do alquimista  Nicolas Flamel. Sempre pregando a felicidade e paz de espírito nas letras e na sua irresistível base (violão, baixo e percussão), Ben Jor manda brasa com seu canto chorado e suingue malandro em outras pérolas do álbum como “O Homem da Gravata Florida”, “O Namorado da Viúva”, “Eu Vou Torcer”, “Menina Mulher da Pele Preta”, “Minha Teimosia, uma Arma pra te Conquistar”, “Magnólia”, “Zumbi”, “Brother” e “Cinco Minutos”.

 

3 – Secos e Molhados – Secos e Molhados 1973

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O lançamento do primeiro LP do “Secos e Molhados”, que leva o nome do grupo, impressionou o público brasileiro. Era um grupo completamente diferente de tudo o que se conhecia na época. Trazia o incrível Ney Matogrosso nos vocais, letras contra a política dos militares e estilo marcado pela MPB e pelo rock progressivo. Além do conceito visual, traduzido através das máscaras que o quarteto usava e da performance de palco nunca antes visto no Brasil. O álbum já mostrava toda a originalidade de um dos maiores fenômenos da música brasileira e vendeu mais de 300 mil cópias. São oito faixas, sendo sete do compositor e violonista João Ricardo. Fazem parte do disco os sucessos “O Vira”, “Sangue Latino”, “Mulher Barriguda”, “Assim Assado” e uma melancólica versão de “Rosa de Hiroshima” (Gerson Conrad/Vinicius de Moraes) interpretada pela inesquecível voz de Ney Matogrosso.
Sua capa traz uma antológica fotografia de Antônio Carlos Rodrigues na qual as cabeças de quatro dos integrantes são servidas em bandejas. Foi eleita a melhor capa de um disco brasileiro pela Folha de São Paulo em 2001 e é sempre lembrada como tal.

4 – Da Lama ao Caos – Chico Science & Nação Zumbi

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É o primeiro álbum de estúdio da banda pernambucana Chico Science & Nação Zumbi, lançado em 1994. Considerado um verdadeiro clássico da música brasileira, apresentou um som revolucionário, com canções energéticas, muito bem elaboradas, mesclando funk rock com maracatu, Embolada, Psicodelia e música Afro. Além disso, foi o disco que inaugurou a cena Manguebeat e foi também um dos responsáveis pela “abertura de portas” para o rock dos anos 90 exercendo uma influência muito forte para o que surgiria depois.

 

5 – Titãs – Cabeça Dinossauro

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“Cabeça Dinossauro”, “Aa Uu”, “Igreja”, “Polícia”, “Estado Violência”, “A Face do Destruidor”, “Porrada”, “Tô Cansado”, “Bichos Escrotos”, “Família”, “Homem Primata”, “Dívidas” e “O Quê”. O álbum “Cabeça Dinossauro” reúne tantos sucessos dos Titãs, que até parece uma coletânea. O LP mais roqueiro dos anos 80 é contundente, inspirado, raivoso, forte inteligente e visceral. Terceiro álbum de estúdio da banda, lançado em 1986, marcava a estreia da parceria com o produtor Liminha e uma grande mudança estética no som, comparado aos trabalhos anteriores. Embora o punk rock seja predominante, o octeto paulistano apresentava também um reggae (“Família) e influências do funk (“O Que”, “Estado Violência” e “Bichos Escrotos”). Influenciados pela prisão de Arnado Antunes e Tony Belloto por porte de heroína, não só o som ficou mais pesado, como as letras ficaram mais críticas e irônicas, apontando para o capitalismo, impostos, família e polícia. Lógico. A capa, impressionante, foi baseada em um esboço do pintor italiano Leonardo Da Vinci, intitulado “A Expressão de um Homem Urrando”. “Cabeça Grotesca”, outro desenho do pintor, foi para a contracapa do disco. “Cabeça Dinossauro” rendeu o primeiro disco de ouro aos Titãs e é fundamental em qualquer discografia básica da música brasileira.

 

6 – Coisas – Moacir Santos

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Já em seu primeiro álbum, “Coisas” (Forma – 1965), o arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista pernambucano Moacir Santos deixava claro que se tratava da estreia de um dos maiores músicos do Brasil.
O álbum foi produzido por Roberto Quartin e é composto por 10 faixas nomeadas “Coisa”, diferenciadas apenas pela numeração. São todas de autoria de Moacir, que teve a parceria de Mario Telles, Regina Werneck e Clóvis Mello nas canções “5” e “7”, “9” e “8” e “1”, respectivamente. Pouco depois, algumas de suas músicas ganharam letras, caso de “Nanã” (nº 5), “Senzala” (nº 9), “Quem é Que Não Chora” (nº 7) e “Navegação” (nº8).
Por sua raridade, a versão em vinil do álbum “Coisas” foi, durante muitos anos, um artigo de alto luxo, sendo vendido a preços estratosféricos. A versão que chega às lojas pela Polysom é a original, inteiramente instrumental, e vem com um texto muito carinhoso de Mario Adnet, responsável, junto com Zé Nogueira, pelo projeto “Ouro Negro”, feito em homenagem a Moacir Santos. O maestro e suas dez “coisas” registradas nesse álbum foram e ainda são grande referência para a música mundial.

 

7 – Tom Zé – Estudando o Samba

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Após o polêmico disco “Todos os Olhos”, Tom Zé lançou em 1976 o seu quinto álbum, “Estudando o Samba”. No site oficial do cantor, Elton Medeiros, parceiro em algumas canções, diz que nesse disco Tom procurou “reunir uma variedade de tipos e de formas rurais e urbanos do samba, dando a cada música a vestimenta que achou mais adequada.”

Ícone da Tropicália, o sempre irreverente Tom Zé nos presenteia nesse álbum com algumas de suas composições de maior sucesso como “Tô”, “Heim?”, “Mãe (Mãe Solteira)” e “Vai (Menina Amanhã de Manhã)”, entre outras. Ele ainda continua o seu “estudo” sobre esse estilo genuinamente brasileiro cantando uma versão surpreendente da música “A Felicidade”, de Vinícius de Morais e Tom Jobim, outros grandes mestres da MPB.

“Estudando o Samba” foi redescoberto por David Byrne no final dos anos 80. Lançado no mercado internacional em 1990, o álbum foi aclamado pela imprensa mundial, Tom Zé passou a ter uma carreira internacional, voltou a ter espaço na mídia brasileira e ganhou milhares de fãs jovens, que antes não tinham tido contato com sua obra. Por isso o vinil tornou-se um dos mais disputados nos sebos do planeta.

 

8 – Erasmo Carlos – Carlos Erasmo

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Carlos, Erasmo é um álbum do cantor e compositor Erasmo Carlos, lançado em 1971.O disco é visto como um dos melhores trabalhos de Erasmo Carlos pois apresenta uma boa gravação e bons arranjos feitos por Chiquinho de Moraes, Rogério Duprat e Arthur Verocai (É Mole!). Entre os músicos de estúdio, o time é composto por nomes como Liminha, Dinho e Sérgio Dias. O disco também marca a estreia de Erasmo na Philips e foi produzido por Manoel Barenbein e Nelson Motta.

 

9 – Banda Black Rio – Maria Fumaça

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“Fazendo uma mistura muito suingada de funk, jazz, samba e soul, a Banda Black Rio é um dos primeiros nomes da música black nacional. O grupo surgiu em 1976, teve seu primeiro álbum lançado um ano depois, “Maria Fumaça”, considerado até hoje um dos melhores do estilo e da MPB. O grupo, que era formado por Oberdan Magalhães (sax), Lucio J. da Silva (trombone), José Carlos Barroso (trumpete), Jamil Joanes (baixo), Claudio Stevenson (guitarra), Cristóvão Bastos (teclado) e Luiz Carlos Santos (bateria e percussão), contou com Mazola para produzir esse primeiro trabalho. “Maria Fumaça” é composto por 10 faixas, sendo seis assinadas por diferentes membros da banda e quatro versões para músicas de grandes nomes, sendo eles: Edu Lobo (“Casa Forte”), Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (“Baião”), Louro e João de Barro (“Urubu Malandro”), e Ary Barroso (“Na Baixa do Sapateiro). Além dessas, o disco ainda traz as faixas “Mr. Funk Samba”, “Caminho da Roça”, “Metalúrgica”, “Leblon Via Vaz Lobo”, “Junia” e a faixa-título, que foi tema de abertura da novela Locomotivas (Rede Globo). “Maria Fumaça” é sem dúvida, fundamental em qualquer discografia.”

 

10 – Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho

los-hermanos-bloco-do-eu-sozinho-novo-lacrado “Bloco do Eu Sozinho” (2001) – Esse álbum marcou uma nova fase do Los Hermanos. Com a saída do baixista Patrick Laplan, o agora quarteto apresentava um som um pouco diferente, acrescentando levadas melancólicas de samba e bossa nova. Embora não tenha repetido o mesmo sucesso comercial do anterior, o “Bloco…” fez com que o público fã da banda ficasse cada vez mais fiel. Músicas como “Todo Carnaval Tem seu Fim”, “Sentimental” e “A Flor”, entre outras, foram sucessos desse álbum.

 

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18 comentários em “10 Lps Essenciais Para Uma Coleção de Música Brasileira

  • 16/02/2016 em 01:44
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    Faltou raulzito ai em…. mais são 10 discos excelentes!!!

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  • 16/02/2016 em 20:13
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    Ótima lista! É lógico que falando de música brasileira é muito difícil espremer 10… Mais poderiam surgir tbm Raul, Tim, Planet, Cazuza e muitos outros…

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  • 16/05/2016 em 09:31
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    Na minha opinião, faltaram dois discos essenciais: Transa (Caetano Veloso) e Alucinação (Belchior).

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  • 16/05/2016 em 11:49
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    Ótima lista, realmente bem difícil apertar em 10 discos. De todos, tenho um carinho especial pelo meu first press de “A Tábua de Esmeralda”. =)

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  • 04/07/2016 em 14:50
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    Rapaz… Incluir Los Hermanos e deixar de fora Tim Maia, os mineiros do Clube da Esquina, Caetano… Sei não.. Essa lista aí tá bem esquisita hehe

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  • 03/07/2017 em 17:29
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    Nenhum do Cartola…

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  • 03/07/2017 em 21:01
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    Que lista doida! Faltou Canção para um amor demais de Elizeth Cardoso disco que lançou a bossa nova e o Tropicalia ou Panis et Circense, disco-manifesto do movimento tropicalista

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  • 04/07/2017 em 15:54
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    Cadê GILBERTO GIL, BELCHIOR, ELIS REGINA, CHICO, CAETANO e vários outros, muito fraca essa lista.

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  • 07/07/2017 em 06:36
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    Boa lista esse do LOS HERMANOS É SHOW!

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  • 07/07/2017 em 10:17
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    10 é muito pouco, tem Tropicália, Raul Seixas, Mutantes, Hyldon, Tim Maia, Racionais Mc’s, Sabotage, Elis Regina, Taiguara, Egberto Gismonti, Chico buarque, Gal, caetano, Gil… Sugiro fazer uma lista de “100 discos essenciais da música brasileira”, pra começar!!!

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  • 20/08/2017 em 01:17
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    Legião Urbana 1, ou 2, ou 3. Um desses tinha que .
    O disco Tropicália 2 também.
    Cássia Eller, Raul Seixas, Luis Gonzaga, entre outros…
    Mas, a lista é boa !

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