Por que em vinil?

Fizemos esta pergunta em nossa página do Facebook e os nossos amigos colecionadores trouxeram a sua versão do porquê deste fetiche por esta mídia que nos encanta. A princípio seria para elaborarmos uma matéria para o Blog do Bilesky Discos, mas resolvemos transcrever na íntegra os comentários dos maiores especialistas em disco de vinil do Brasil, os colecionadores e apaixonados!

Seguem uma a uma. E você? Por que o vinil te encanta?

 

Rafhael Tafuri“Pra mim o fascínio pelo vinil vem de ter a música como algo mais tangível. Lembro quando minha família migrou pro CD em 96 quando eu tinha 8 anos e eu sentia falta de poder enxergar a música tocando, de poder ver a agulha sobre o disco que girava (lembro que, na minha curiosidade infantil, eu levei a sério a vontade de ver um CD girando até que meu pai me levou a um restaurante com jukebox e eu fiquei a noite toda olhando o movimento). Hoje que tenho minha própria vitrola e ouço meus discos eu gosto de ver também. Fico deitado entre as duas caixas de som e de frente pra vitrola apenas observando o movimento do braço. Acho que é por isso que, por mais que tenha todos os meus CDs ripados para o pc e copiados no meu celular, eu não me rendi de fato à era digital. ”

 Gustavo Magalhães – “ É real. Apenas isso ”

 Ayrton Mugnaini Jr. – “Minhas respostas:

1) porque não saiu em cd

2) porque a edição em cd ficou ruim (informações no encarte, masterização, faixas ausentes por censura ou outro motivo)

3) porque já tenho uma boa edição em lp e, como diz Tom Zé, não vou pagar ingresso pra ver filme que já vi…”

 Alex Medeiros – “Pra mim que sou DJ prefiro o Vinil por inumeros motivos. Qualidade incomparavel e tb por ter o contato direto com a musica. A sensacao de manipular manualmente me fascina!!”

Bernardo Melo“O vinil representa toda uma geração, devido esse fato ele nunca serra esquecido. ”

 Arthur Perdigão“Por que sou masoquista e maluco. E só! Sério! Eu não sei. Eu gosto desde que me lembre. Ficava hipnotizado com o disco rodando, o braço passeando pelo disco. As pessoas se espantavam (isso por que tenho 22 anos, em 2000 não era muito normal uma criança querendo ter uma vitrola em casa a qualquer custo) ”

 Carlos Amorim “Além do fato de a Música tornar-se tangível com o vinil, ela expressa, diferentemente dos CDs e MP3s(que são informações em bits), as ondas sonoras reais transcritas nos sulcos do disco. No vinil, que é analógico, não existe compactação da onda sonora, o que ouvimos é algo mais próximo do som feito em estúdio. ”

 Marcelo Machado da Silva“Há a questão do som analógico, mais fiel, mais grave, com todas as nuances e camadas da música. Fora isso, vai além da experiência sonora. É um barato visual, sensorial, já que se pode curtir a capa, o encarte, a contracapa. Vinil é sobretudo um conceito, um produto cultural com unidade em todo o trabalho musical e gráfico. ”

Weslei Farias“Estava comentando isso com a minha namorada… Quem ouve vinil, escuta todas as músicas, do jeito que o artista escolheu. Dificilmente eu fico pulando faixas, até mesmo quando estou ouvindo mp3. Um amigo meu, eu estava de carona no carro dele, nunca conseguia ouvir mais que 1 minuto de cada faixa. Gosto muito, também, da parte gráfica das capas. As que mais gosto de apreciar são Powerslave e Somewhere in Time, ambos do Maiden. ”

Fed Ozanan – “ Porque é bao demais

 Patrício Swann – “Tivemos que perdê-los para valorizar-los…

Nunca, jamais em tempo algum, os cds e músicas em formato digital se elevará ao nível de excelência da música analógica do vinil…

O “som cheio”, as capas e encartes sensacionais somado aos Incríveis trabalhos de autoria (álbuns conceituais para serem ouvidos inteiros). E a magia do tempo que se estabelece no momento reservado para esta prática… “Um estado de suspensão”…

Só lamento ter embarcado na onda de “modernidade” da época, e ter me desfeito de uma vasta coleção de vinis em detrimento de espaço e comodidade… A única vantagem da música em mp3 é a grande capacidade de compartilhamento…”

 Thiago Lima – “Já ouviu a frase”saudade do tempo que eu não vivi”,isso ajuda a criar uma atmosfera,além do som,da capa,do cheiro,memórias,pra quem ama música,é claro!”

 Marco Vinicius Costa“Me trazem as melhores memórias musicais,pois meu velho discotecava, e praticamente todo final de semana era festa em casa.Até hoje tenho o hábito de garimpar em sebos ou em lojas do ramo por jóias que ainda são lançadas na gringa ou aqui por amantes da boa música. “

Gilson Bispo da Silva“Pra mim é como um caso de respeito à música que aquele troço de plástico chamado cd não me passa. Ter um álbum em vinil pra mim eleva o artista e sua obra a um grau muito mais elevado “

Carlos N. Rauber “Pra mim é como um caso de respeito à música que aquele troço de plástico chamado cd não me passa. Ter um álbum em vinil pra mim eleva o artista e sua obra a um grau muito mais elevado”

 Mauricio Rodrigues – “Minha mãe conta, que era com música no vinil,que me fazia ficar quieto, quando bebê. De lá para cá, nunca mais deixei de ouvir, e sim de fato o som é mais, real, ouçam a mesma faixa, em CD, e vinil, e tentem perceber, eu já fiz e tive a prova, valeu a experiência. Não a toa, sempre é lembrado, em filmes, desenhos, e comerciais. Vinil, sempre! ”

Marcos Santos“Para mim aconteceu de forma natural, pois meu pai participava do comércio informal de discos e desde criança havia pilhas e mais pilhas de vinis em nossa casa. Desde muito cedo tive contato com LP’s dos mais variados estilos, especialmente de música nacional, e aos 6, 7 anos já gostava em particular das músicas mais famosas do Raul Seixas.

Quando tinha por volta de 14 anos comecei a ter um gosto próprio para a música e iniciei a minha coleção de LP’s. Isso foi por volta de 1996, 1997. Era a época de declínio do vinil e ascensão do CD.

Como o poder aquisitivo era baixo, de início a opção pelo vinil se deu também por ser mais barato. De 1996 a 2000 comprei cerca de 70, 80 vinis por R$ 1,00 cada, muitos dos quais ainda hoje guardo comigo, alguns raros e bem caros hoje em dia, como os primeiros do Led Zeppelin e Black Sabbath, por exemplo.

Com o passar do tempo e tendo acesso a aparelhagens de melhor qualidade percebi que a preferência pela sonoridade do vinil não era só por lidar com LP’s desde criança. Mesmo sem grande conhecimento técnico de física e acústica era perceptível que o som do vinil se aproximava muito mais do som obtido em estúdios do que a sonoridade “limpa” demais do cd. É o gosto pela sonoridade real, crua!

Hoje minha coleção de LP’s tem cerca de 600 itens, e continuo comprando, novos e usados. ”

 Nícolas Araujo Fernandez“A sensação de estar ouvindo o mesmo que as pessoas ouviram logo quando lançaram. Viver a época em que eles foram lançados e apreciados verdadeiramente! ”

 Nelson Ferreira – “naquela época só exista rádio ‘om’ ondas curtas e não ‘am’ amplitude modulada como é hj, o sinal era muito ruim chiava muito e os cantores cantavam ao vivo com um microfone só para cantor e orquestra, por isso que as musicas antigas tem no meio um trecho longo tocado é quando elas vinham a frente perto do microfone mostrar seu trabalho, por ser muito ruim o som se tocava pouca musica, os famosos bolachões 78 rpm ‘rotação por minuto’ melhorava o som, vc entendia melhor com o inconveniente de colocar musica por musica pois só tinha uma music no lado a e outra no b.”

 Luciano Fortunato – “É uma máquina do tempo de verdade. ”

 Alan Lopes – “Tenho 27 anos peguei o vinil no final mas escutei bastante quando criança e sempre fui um admirador de vinil e gosto bastente que hj tenho um rádio toca disco e coleciono meus lps sou fã dos Ramones tenho lps deles e do Elvis e sou bem eclético teno lps de Renato e seus Blue Caps e ai vai não são muitos lps que tenho mas me facina o som do vinil as capas nos levam á época de Ouro que infelizmente não peguei essa época eu sou bem Nostalgico e sou apaixonado pelo Vinil os ruidos e ver o vinil girando me faz ficar em êxtase á essa Maravilha de antigamente e que hj está com Tudo no momento o que era Música de Verdade e a originalidade de antigamente as artes das capas, cds tenho poucos sou mais do velho, compacto, Lp, bolacha ou qualquer que seja Sempre o ETERNO e Bom VINIL.”

 Marcelo Bruno – “O vinil é como se fosse a alma da musica dominando o ambiente!”

 Sidney Mendes – “Porque e a alma da música. Quando você põe o vinil pra tocar você desliga do mundo. Ali você vê o que o artista quis passar,você pega o disco põe pra tocar,deita no sofá e fica admirando a capa,e isso que eu faço…”

 Pedro Aurélio“me lembra minha infância,o prazer de ir até a loja com meu pai comprar vinis…até o cheiro do vinil me trás muitas lembranças . Apaixonado”

 Paulo Farat – “A magia dos selos no meio da bolacha…”

 Venancio Takemoto“Sou de 1996, quando nasci o vinil já era ultrapassado, mas eu tenho a necessidade de ouvir em vinil, primeiramente, pela qualidade do som (o som real, matéria prima). Outro fator que me leva a gostar do vinil é porque sou apreciador de muitas bandas antigas e, sendo fã e tendo nascido depois que essas bandas já eram consagradas, quero ouvir o mesmo som que os fãs da época, quero saber o que cativou a todos eles, da mesma forma que me cativa.”

 Zeka de Quiroz Aspesi – “Meu Pai trabalhou em radio, anos depois eu tambem, naquela epoca a midia nobre era o vinil…o luxo do cartonado, as capas duplas, a textura refinada dos encartes com as letras das musicas para acompanharmos a evolucao das melodias nos fizeram apaixonados eternos pelos discos. Quando os aparelhos surgiram com som stereo hi-fi criou se a cultura de colecoes e a disseminacao dos primeiros audiofilos com suas vastas colecoes que hoje em dia transformaram seus acervos em raridades que enriquecem os saloes dos sebos e dos antiquarios… No seculo XXI a magica ganhou um revival e a onda das vitrolinhas vintages e os Lp’s 180 g ganharam forca e tomaram de assalto as prateleiras das lojas livrarias dos shoppings e os sites da internet fazendo novamente do vinil uma midia nobre e disputada pela legiao de seguidores da musica pop do rock do jazz e da MPB e dos classicos enfim todos estilos musicais que sempre foram muito comercializados. Mais difundidos por um seleto publico nesta segunda onda do vinil em terras tupiniquins…Mesmo nao sendo muito comum em relancamentos a cena musical da MPB acabou reconquistando merecidamente um novo e msis disputado espaco e valendo se deste fenomeno mercadologico para garantir vendas… A principal paixao que faz do vinil a mais cobicada midia musical e que tornou a febre entre seus seguidores e a indiscutivel qualidade do som, sua fidelidade auditiva ao sabor dos decibeis, apesar do avanco de novas linguagens como o proprio CD wave e MP 3 o i tunes o vinil resiste e seus fas nao perdem o habito de adquiri-los. Costume que existeha pelo menos quatro geracoes no Brasil jovens adultos consumindo titulos que foram oferecidos pela industria nos ultimos 60 anos…O vinil e uma paixao que passa de Pai para filho a midia mais cobicada por quem quer ter acesso ao que de melhor existe em musica, para aqueles privilegiados que cultivam o refinado habito de colecionar sons que fazem os audiofilos de todo mundo se unirem em torno de albuns e artistas para terem acesso aos cobicados bolachoes que se tornaram fenomeno mercadologico mundial movimentando milhoes de pessoas apaixonadas pelas valiosos e cada vez mais disputados discos de vinil.”

 Fernanda Modernel – “Qualidade do som é incomparável e tem o saudosismo tb, que compõe o cenário pra ouvir um bom disco! ”

 Douglas Beatriz – “Pra mim é saudosismo, me lembro que quando criança ainda se vendia vinil, minha avó tinha aquele clássico aparelho com CD, fita e vinil em cima. Mas eu mesmo não vivi essa época, porém depois de ouvir tantos CDs em mp3 e ver como se pode alterar algo em estúdio vejo no vinil e nas músicas antigas algo de mais real, mais verdadeiro onde consigo ouvir o som exatamente como foi gravado, sem alterações, amo ouvir o som da caixa da bateria, até mesmo meio “estranho”. Pra mim as músicas em vinil são isso, verdadeiras, reais, sem ilusão. ” 

Marcos Leandro Gonçalves – “Eu me criei ouvindo vinil com meu pai , meus tios faziam reuniões dançantes e eu continuo com minha coleção , mas acho um absurdo os valores cobrados hoje em dia por um disco , portanto um recado para os mais novos , mais uma vez a indústria metendo a mão em nome da arte”

Fernando José – “É mágico!!!”

 José Maria Maia – “por porque era legal escolher as musicas manualmente”

 Sérgio L. Lacerda – “Não é só fascínio, mas qualidade final da reprodução sonora, é inigualável e insubstituível.”

 Maria Marcondes – “saudosismo é o que primeiro vem à cabeça mas também o encarte, a capa, o prazer de pegar um vinil na mão, ler os nomes das músicas, viajar no chiadinho, até aquele arranhão que faz o disco pular justo na faixa que você mais gosta. tantas coisas.”

Luiz Carlos Pereira – “Nenhum barulho se compara ao da agulha deslizando no bolachão, é paradisíaco…”

 

E você? Por que em vinil?

3 comentários em “Por que em vinil?

  • 05/02/2016 em 21:11
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    Nasci em 1965. Em 1971 eu já havia quebrado 3 vitrolas. E dezenas de discos. LP’s, eu arranhava. Discos de cera de carnaúba (78RPM), eu quebrava. Não era “traquinagem”: se os adultos não as ligavam para que eu pudesse ouvir e observar, maravilhado, eu colocava o disco no prato, a agulha no disco e girava com os dedos, ouvindo o chiadinho musical. Veio o CD. Vieram CD’s, mas meus discos ficaram. Hoje ouço discos numa Thorens. Ou numa Dual. E a proporção ainda é 1 CD prá cada 200 discos, em média. Só quando não tem jeito mesmo…:). E mais: a cultura de frequentar lojas de discos. Ahhh…as lojas de discos! Quanta conversa boa, quantos olhos estatelados quando o proprietário descia do escritório com uma caixa de papelão lacrada e dizia: “acabei de chegar de São Paulo, com as encomendas!”. Saiam de dentro da caixa as reedições dos Beatles, Led, lançamentos do Deep Purple, uns 3 diferentes do Ac/Dc. Me lembro quando saiu “Back in Black”…o som da caixa da batera na intro de “Rock and Roll Ain’t Noise Pollution”! nunca tinhamos ouvido um som tão bem gravado! E o Triumvirat? E o Renaissance? E o Pink Floyd? Quanta conversa boa! Quanta informação! Quanta cultura! Aprendi muito, ensinei um pouco, dentro da loja de discos. Horas e horas de camaradagem e boa prosa. Eu vivi isso! Tudo em torno dessa roda de plástico preto, que ainda embala nossos sonhos! Sempre digo aos jovenzinhos com “earbuds” entupindo-lhes os ouvidos: “vocês não sabem o que é a magia de escutar som em equipamento Hi-Fi. Talvez vocês jamais tenham o prazer de frequentar um lugar mágico chamado “loja de discos”. Se tivessem uma única chance, isso talvez pudesse mudar sua vida (não prá pior, mas prá melhor, por melhor que possa já estar)!

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  • 12/02/2016 em 04:52
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    Comecei a escutar e colecionar vinis no fim dos anos 90, mais exatamente em 1998. Eu tinha 11 anos e lembro que o principal motivo por optar pelo vinil foi a questão financeira. Não tinha dinheiro, meu primo me deu de presente um 2 em 1 da CCE (um tape deck e toca-discos) e dois vinis (Use Your Illusion I do Guns e o Ao Vivo do Cazuza). Lembro que era uma maravilha, estudava de manhã e passava as tardes no Sebo da cidade onde cresci. Fiz amizade com o proprietário do Sebo, ficava garimpando e esperando alguém com vinis para trocar ou vender. Foi bem na época que desvalorizou o vinil, lembro que comprei meu Nevermind por R$5,00, o Led IV por R$6,00. Pensando nos valores de hoje, parece inacreditável pagar esse valor em um Nirvana. Com o tempo passei a admirar e cultuar o vinil. Apreciar um LP não é só música, é um ritual. O cuidado no manuseio, o encarte, a embalagem, o contato da agulha com o vinil tornam essa atividade extremamente relaxante e prazerosa para nós, audiófilos.

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  • 09/07/2016 em 15:04
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    O vinil é como vinho tem que gostar e apreciar é simples assim.

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